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TÁ NA MODA…

18 jul

… colocar passos de balé na Dança do Ventre. Polêmicas a parte, se você é bailarina e não coloca nem um arabesquisinho sequer, você é over! Não é antenada, não sabe o que está pegando, certo mana?

… publicar uma agenda mensal com todos os eventos que irá participar. Aí eu sempre me pergunto: ela realmente acha, genuinamente, que está fazendo uma divulgação eficaz ou tem consciência de que isto é só pra satisfazer o próprio ego? O “mais maior legal” é quando ela coloca “dia tal: evento fechado”. Aí ela responde a minha pergunta!  Evento fechado só interessa pra você e o contratante. Mas não, a bicha tem que mostrar o quanto é requisitada!

… bailarina ficar “anciosa” para o evento com “c”. Tô vendo de monte, gente, afffff

… bailarina colocar no face ou no twitter frases de impacto e de significado profundo pras pessoas refletirem. Lindo… se tivessem sido escritas por elas próprias.

… mandar mensagem carinhosa pra outra bailarina pedindo que “papai do céu” a abençoe. Quando leio isso, as lágrimas rolam de emoção… pensando que minhas colegas se comportam como crianças.

Conclusão: quase tudo hoje se resume a “copiar e colar”! Cadê as cabeças pensantes, as novas ideias, passos, coreografias e pensamentos? Que mundo é esse de futilidade, de valores invertidos? A gente reclama que a Dança não é valorizada e que a Dança do Ventre é o “cocô do cavalo do bandido”.  Também, olha o que estamos fazendo com ela!

Ah, eu estou muito ácida? Também acho! Vou voltar pra minha bolha e volto aqui quando estiver mais bem humorada, ok? Estou “anciosa” por isso!

Inté!

RESPEITO É BOM E EU GOSTO!

28 nov

Certa feita, uma pessoa muita sábia me disse: “Layla, esta sua bondade não serve pra nada! Aprenda a usá-la com quem merece!”. E, a duras penas, vejo como isso é verdade.

O Belly Brechó surgiu despretensiosamente há mais de um ano. E, como eu já disse, me surpreendeu tomando proporções que foram além das expectativas, pois agora até ganhou uma loja virtual. Pra mim ele sempre foi um hobby muito prazeroso e gratificante porque eu não ganho sozinha. Ganha quem compra uma roupa de qualidade por um preço acessível. Ganha quem vende suas peças usadas (geralmente somente uma única vez) e pode obter o retorno parcial do seu investimento. Ganha o brechó por intermediar as transações.

O que me irrita profundamente é a forma como algumas pessoas desvalorizam o meu trabalho. Para me fazer entender, vou citar este exemplo que ocorreu há duas semanas: chegaram 2 roupas egípcias na loja que, como todas as outras, ficaram a venda pelo site. Pois uma moça teve a coragem de imprimir as fotos das roupas e ficou “caçando” a dona delas num evento de dança que ocorreu no feriado de novembro. Olha que situação ridícula: ela ia de uma por uma perguntando se alguém conhecia a proprietária das roupas. Assim ela negociaria diretamente com ela, “pularia” a negociação com o brechó e certamente conseguiria um desconto, não é?

Várias alunas e colegas que estavam no evento me descreveram esta mesma situação. O que me deixou mais triste foi saber quem fez isso. É uma bailarina por quem eu nutria respeito, que eu considerava uma colega de trabalho, que já veio no brechó diversas vezes! Não era uma cliente qualquer. Tinha uma relação de afeto.

O mínimo que eu espero é respeito pelo meu trabalho. Você pode não gostar, não concordar, mas respeite! Aliás, acho que gostando todo mundo tá, porque além da loja estar bombando, já tem um monte de gente copiando a idéia (pra variar)!

Só pra constar, para cada bloco de 10 peças que chegam eu gasto em média 5h de trabalho que compreende:

  • Fotografar as peças
  • Medir
  • Pesar
  • Etiquetar
  • Armazenar
  • Cadastrar na loja virtual
  • Divulgar

Fora tudo isso, tem o valor do aluguel do espaço físico, o valor gasto para manter a loja virtual, o gasto com infraestrutura e, acima de tudo, a responsabilidade de ficar com peças que não são minhas e de cuidar como se fossem!

E o mais engraçado é que seu eu não tivesse tido toooodo esse trabalho, a bailarina em questão nem saberia da existência das roupas. Então é justo agir dessa forma tão desrespeitosa e anti-ética?

E o final dessa história? Elas não achou a dona da roupa e veio no dia seguinte aqui comprar comigo. Ela nem tocou no assunto. Imagina!

Na verdade, eu sei que não foi uma questão pessoal comigo. Esse tipo de pessoa é tão egocêntrica que faria isso com qualquer um. Para economizar uns trocos ela passou por uma situação ridícula e colocou em cheque a nossa relação. E nem valeu a pena porque no final das contas ela acabou comprando aqui mesmo…

Bom, agora EU é que preciso colocar em prática o que me foi ensinado: usar a bondade e ser generosa com quem merece!

A IMPORTÂNCIA DA AUTOESTIMA PROFISSIONAL

10 ago

Venho matutando sobre este tema há quase dois anos e com ele amadurecendo. Quando iniciei a Pós, tive uma aula espetacular com o Prof. Milani sobre Dança na Escola. Em determinado momento da aula ele disse “…hoje sou rico com a dança, caminhando pra ser milionário!”. Pra alguns da minha sala a frase soou arrogante, outros o acharam prepotente. E eu, lembro que pensei “taí um cara que tem autoestima profissional!”

Sim, porque a partir do momento em que decidimos adotar a dança como profissão somos tachados de pobres, de “sem-futuro”. Parece que estamos fadados a contar moedinhas, a andar com sapatilhas furadas e roupas surradas. Não sabemos como será o mês que vem. Não conseguimos planejar nada, comprar carro, casa, ter férias, 13º salário e aposentadoria.

E sabe o que é pior? Vestimos a carapuça, encaramos isso como “é o preço a pagar pelo meu sonho”, quando na verdade a Dança é uma profissão como outra qualquer, com suas dificuldades, mas também com muitas recompensas, inclusive financeiras. Hoje eu sei e acredito que um bailarino pode ser sim bem remunerado e ter seus direitos e benefícios garantidos.

A Dança está se infiltrando nas empresas, faculdades, centros de saúde, esporte e lazer. Aproveita quem quer. Permanece quem é capaz! Depende de nós mudarmos este estigma de pobretões sem-futuro! E como fazer isso?

Foi o que perguntei naquele dia pro meu professor. No intervalo fui conversar com ele e perguntei como ele conseguiu esta façanha de ficar rico. Eis que ele responde: “Simples: eu comecei a dar aulas de dança em escolas públicas. Quando todos os professores se limitavam a ensinar os esportes tradicionais (futebol, basquete etc), eu comecei a ensinar dança contemporânea. Às vezes, nem tinha aparelho de som e infraestrutura. Eu usei a criatividade como elemento-chave do meu trabalho.  E assim, eu percorri o mundo dançando, abri a minha escola e hoje dou aula em várias universidades. Da realidade que eu vivi, pensando em de onde eu vim, hoje eu sou um cara rico!”

Foi muito bacana e inspirador ouvir isso. Foi então que eu entendi que temos vergonha de falar que ganhamos bem com a dança, que gostamos de reforçar e de nos vangloriar das dificuldades, da falta e da escassez. Quando alguém assume que é bem remunerado é tachado de mercenário, prepotente e convencido. Pois cabe a nós, bailarinos profissionais, desenvolvermos a nossa autoestima profissional, dar valor ao nosso rico dinheirinho e ao nosso suado trabalho. Chega dessa era da escassez. Nós merecemos mais, não acha?

POWER POLE BEAUTY BELLY DANCE

5 jul

Fusões. Esta é a palavra do momento no universo bellydance! As bailarinas estão fundindo a Dança do Ventre com outras danças e culturas e tem aparecido resultados e segmentos bem diferentes e interessantes… outros, bizarros. Mas hoje não vou entrar no mérito artístico, mas sim tratar das fusões que estão surgindo em sala de aula.

O título do post é uma mistura de nomes de várias aulas que eu já vi no mercado e sempre que vejo mais um besteirol desse caio na risada. Alguns aproveitaram a onda do pole dance pra unir à dança do ventre. Queria muito que alguém me explicasse como isso é possível, quais são os benefícios reais e a sua aplicabilidade. Até agora não entendi…

Depois surgiram aulas que misturam a dança do ventre com aeróbica e olha que os resultados são promissores: emagrecer, melhorar o condicionamento, queimar gordura  e perder muitas e muitas calorias! Legal, hein? Mas será que:

  • As profissionais que ministram estas aulas tem preparo e conhecimento pra isso? Será que são formadas em Educação Física? Eu conheço muitas profissionais que estão dando estas aulas e, a não ser que elas tenham feito a graduação por correspondência, sei que não estão aptas.
  • É pedido um atestado médico às alunas liberando atividade física de maior impacto?
  • Durante a aula, as professoras conferem a frequência cardíaca das alunas? Como é possível saber se está havendo queima de gordura mesmo? Como é possível saber se a aluna não está com taquicardia?

Estes são somente alguns pontos que devem ser observados.

Fiz questão de escrever este post para que as alunas fiquem atentas e sejam criteriosas ao aderir a uma nova “modalidade”. Para as profissionais, sempre falo o quanto é importante fundamentar o nosso trabalho através de cursos, aulas e tudo o que possa legitimar  a sua idéia. Porque muitas vezes a idéia é boa, mas é preciso ter responsabilidade e conhecimento para colocá-la em prática.

E eu falo isso com conhecimento de causa. Quando criei o Sistema Belly Ball fui fazer cursos que dessem uma base técnica e científica pro meu trabalho, garantindo a sua credibilidade no mercado. Quando as alunas pedem aulas específicas para adquirir mais força e flexibilidade, tenho a Ana, uma excelente profissional de Educação e física e bailarina clássica pra atendê-las. Acredito isso é um trabalho responsável, que respeita o corpo da aluna.

Gostaria muito de ouvir a opnião de vocês, especialmente de quem já fez estas aulas “belly doidas” pra saber se estou equivocada e se obtiveram os resultados prometidos.

QUERO MAIS “VÔLEI” NA DANÇA DO VENTRE

8 jun

Sábado fiquei até às 12h30 na cama assistindo ao jogo de vôlei Brasil x Bulgária. De todos os esportes este é o que eu mais gosto de ver e assirtir a ele no final de semana me trouxe algumas reflexões de como precisamos incorporar o “espírito do vôlei” na Dança do Ventre. Explico:

– Questão ética

No vôlei os jogadores podem comemorar entre si quando marcam pontos, mas é considerado anti-ético comemorar provocando o time adversário. Não é lindo isso? Por que as bailarinas também não se contentam em comemorar suas vitórias e conquistas de forma igualmente elegante? Qual a razão de provocações, indiretas e  esta competição absurda pra ver quem posta mais fotos e videos?

– Questão política

Todos os jogadores dos times rivais  se cumprimentam. Isso me parece muito básico e acho que faz parte de ser política (o que, na minha opinião, é uma qualidade). Não se trata de ser falsa, mas sim de tratar o outro com civilidade. E se tem uma coisa que me enche o saco na DV é isso: gente que vira a cara e finge que não te conhece. Afff, até a minha sobrinha de 5 anos já passou desta fase. Quando o universo Bellydance vai amadurecer?

-Questão de união

É a coisa mais linda ver a união do time de vôlei, as comemorações, um abraçando o outro, torcendo pelo outro e perdoando quando há erros e falhas. Nunca vi um grupo de DV que durou anos, em que as integrantes tivessem amor e lealdade incondicionais pelo grupo e umas pelas outras. É triste, mas é fato. Se alguém puder citar um grupo por favor me fale…

– Questão de humildade

Não é fácil ser tirado do jogo no meio da partida, nem ficar no banco de reservas. Mas os jogadores respeitam as decisões do técnico e isso faz com que a humildade seja exercitada constantemente. Quando penso no universo da dança em geral, concluo que esta palavra ainda não entrou no nosso dicionário. Algumas bailarinas o são, mas a imagem que passamos no mercado passa bem longe disso.

– Questão de respeito

Esse é o melhor exemplo do time de vôlei: respeito aos colegas, à torcida e ao técnico. Pois quero muito ver mais respeito às professoras, principalmente das alunas de avançado que às vezes tem o ego traiçoeiro que sem perceber prega a peça da arrogância e do egoísmo.

Bom, em 2h de partida pude tirar todas estas conclusões e sonhar que a dança do ventre um dia será mais “vôlei”…

A NECESSIDADE DO RECONHECIMENTO

9 abr

Faz tempo que não venho aqui publicar textos reflexivos, mas ultimamente tenho visto tanta coisa que me deixa triste com a dança… e eu não gosto de vir aqui e ficar resmungando! Gosto de publicar posts que contribuam na formação de opinião das pratricantes de dança, sejam elas profissionais ou não.

Ser reconhecido é uma necessidade, um desejo absolutamente normal do ser humano, especialmente de quem trabalha com Arte. Isso porque nós, artistas, nunca obtemos resultados exatos do nosso trabalho, é tudo muito subjetivo. Dessa maneira, a opinião dos outros conta muito na formação do nosso autoconceito.

Mas eu pergunto: é necessário qualificar, rotular e dicotomizar a dança em boa ou ruim? É fundamental obter o reconhecimento dos outros? A que preço?

Falo isso porque todos os dias vejo no Orkut (poderosa ferramenta de comunicação do universo Bellydance) bailarinas se expondo sem critérios. Não preservam sua vida pessoal, mostram tudo o que fazem, com quem falam e tudo isso pra que? Pra mostrarem o quanto são queridas, importantes e especiais.

Fazem questão de frisar que vão fazer show com fulano de tal, que aparecerão não sei onde como se isso fosse um medidor de competência, de qualidade. Batem no peito pra falar que são boas porque fazem não sei quantos shows por semana!

Gente, vejo isso há quase 15 anos! Isso enche, caramba! Porque tudo não passa de carcaça. A pessoa é tão insegura que precisa ficar reforçando que fará isso e aquilo pra que os outros confirmem que ela é boa.

Vocês já devem ter ouvido: “menina, tô quebrada, é um show atrás do outro…”. Esse comentário é típico de quem precisa ficar se autoafirmando. No começo de carreira é até normal a pessoa dar umas bolas fora dessas, mas tem “macaca véia” que não se emenda! rs

Por isso hoje tenho o maior orgulho e me categorizo como bailarina “low profile”. Não fico me expondo, dançando em vááááários lugares POP só pra dizer que estou na onda. Hoje posso dizer que danço quando e onde quero e podem achar o que quiser.

Porque eu aprendi, especialmente com a Pós-Graduação, que a dança nunca pode, jamais, ser quantificada ou qualificada. Hoje eu sei que eu expresso fora o que está dentro de mim e nem todo mundo vai se identificar com a minha essência.

Eu sinto também a necessidade de obter reconhecimento, mas quero isso daquela menina, Marininha, que começou a dançar com 15 anos despretenciosamente. Olha menina como você cresceu e evouliu, olha o que você fez com a sua vida, que lindo caminho escolheu pra trilhar! Olha quantas alunas já passaram por você e levam uma marquinha sua!

Pronto, mesmo quando eu ficar bem velhinha e não fizer mais shows, mesmo quando nenhum cantor me chamar pra dançar e mesmo quando as minhas fotos do Orkut não interessarem a ninguém (porque só verão gatos e netos) eu ficarei bem! Porque se eu tiver o reconhecimento desta menina aí de cima, eu ficarei ótima! Isso é tudo o que eu preciso!

NOVA FASE

9 fev

Esta semana começo a fazer minha monografia. Estou feliz porque eu amo pesquisar e escrever, ainda mais sobre dança. Mas estou triste porque significa que o curso está chegando ao fim… o fim de uma fase que me proporcionou tantos recomeços, tantas descobertas, conhecimentos e reconhecimentos (especialmente do meu potencial).

Vamô que vamô!

“Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando, porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu”. (Luiz Fernando Veríssimo)